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De boca aberta

Foto do escritor: jade turquesa
jade turquesa
há 11 horas
2 min de leitura

Eu sempre fui uma aluna de inteligência mediana, nunca fui a mais estudiosa mas nunca deixei de cumprir todas as etapas da aprendizagem em todos os graus a que fui submetida. Estudei em época que a prova traduzia o seu conhecimento e levada pela pouca aptidão para outros campos, fiz o curso de direito.

Sinceramente, gostaria de nunca tê-lo feito.

Não sei se a ignorância me adiantaria ou me fizesse ficar menos atônita pelos graves acontecimentos que estamos sendo espectadores, no campo jurídico.

Ou talvez, sendo eu uma quase septuagenária, não tenha acompanhado as mudanças no ramo que escolhi me especializar.

Eu sei que o mundo mudou, mas talvez eu tenha deixado escapar que os institutos da suspeição ou do impedimento tenham se virado ao avesso.

Para quem não é da área, a suspeição é o mecanismo jurídico (com previsão legal) que afasta um juiz, membro do ministério público ou qualquer auxiliar da justiça de um processo quando há dúvida sobre a sua imparcialidade, se há vínculo pessoal ou subjetivo com alguma das partes e pode, ao meu ver deve, ser alegado pelo próprio juiz.

Ah, também é previsto na lei o instituto do impedimento, que é a regra jurídica que proibe o juiz de atuar em um processo por causa de um vínculo objetivo e presumido com o caso ou com as pessoas envolvidas.

Estou diante de um multiverso. Outras realidades se apresentam mas não é a que eu estudei no direito. Agora, só me explica, o que é que eu perdi? Trabalhei em tribunal a vida inteira, fui chefiada por juízes, casei com um deles, mas me parece que eu esqueci a parte que o direito mudou.

Me desculpem os adeptos no novo ensinamento, meu maxilar dói mas quanto à boca, melhor ficar fechada.



 
 
 

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